A dor no pescoço frequente é uma das queixas mais comuns em contextos clínicos e entre praticantes de atividade física. Muitas vezes é atribuída ao stress ou à má postura, o que de facto pode estar na origem do problema. No entanto, nem toda a dor cervical é benigna ou autolimitada. Saber distinguir entre tensão muscular funcional e sinais de alerta é fundamental para evitar agravamentos.
No Awake, a abordagem começa sempre pela avaliação funcional, que permite diferenciar padrões posturais, rigidez articular, desequilíbrios musculares e quadros inflamatórios.

O que está por trás da dor no pescoço frequente
As causas mais comuns incluem:
- Tensão muscular prolongada, especialmente nos músculos trapézios superiores, elevador da escápula e suboccipitais
- Postura anterior da cabeça associada ao uso de ecrãs
- Hipomobilidade da coluna torácica, levando à compensação cervical
- Disfunções na articulação temporomandibular (ATM)
- Disfunção respiratória com padrão apical crónico
- Sobrecarga emocional mantida sem descarga física adequada
Em muitos casos, a dor no pescoço frequente não decorre de uma lesão estrutural, mas sim de um padrão de uso repetitivo e desequilibrado do sistema musculoesquelético.
Quando a dor é um sinal de alerta
Embora a maioria das dores cervicais seja funcional e tratável com fisioterapia e movimento, alguns sinais exigem atenção médica:
- Dor que irradia para braço ou mão, com formigueiro ou perda de força
- Dificuldade em mover o pescoço em várias direções
- Dor persistente que piora à noite ou em repouso
- Dor associada a febre, mal-estar ou perda de peso
- Episódios de rigidez súbita acompanhados de dor de cabeça intensa
Nestes casos, o ideal é realizar uma avaliação médica e exames complementares antes de iniciar intervenção ativa.
O papel do movimento na dor cervical funcional
A inatividade agrava a rigidez cervical. Movimento consciente e orientado é uma das estratégias mais eficazes para restaurar a função e aliviar a dor. No Awake, utilizamos:
- Mobilidade torácica para aliviar a sobrecarga cervical
- Fortalecimento dos músculos cervicais profundos e estabilizadores da escápula
- Reeducação postural dinâmica
- Integração respiratória com foco no diafragma
- Alongamentos ativos e controle motor
A progressão é sempre feita de forma personalizada, respeitando a sensibilidade do sistema nervoso e evitando exacerbações.
Exemplo clínico: alívio com reeducação postural e mobilidade
A Inês, 38 anos, relatava dor no pescoço frequente ao final do dia. Com a avaliação funcional, identificou-se rigidez torácica e padrão respiratório apical. Com exercícios específicos de mobilidade, ativação do core e respiração diafragmática, a dor reduziu em 70% nas primeiras 3 semanas.

Conclusão
Dor no pescoço frequente é um sinal de que o corpo precisa de atenção e reorganização. Ignorar os sintomas ou apenas aplicar soluções paliativas, como medicação ou repouso passivo, pode perpetuar o problema. A intervenção precoce, com movimento orientado e avaliação profissional, é a chave para restaurar a função e prevenir cronificação.
Se sentes rigidez, desconforto ou dor no pescoço com frequência, o primeiro passo é compreender o que está a gerar esse padrão.
Queres avaliar a origem da tua dor e aprender como aliviar com segurança?



