Dói quando treinas? O que as dores durante o exercício estão mesmo a dizer-te

“Tenho dores nas costas e nos joelhos. Quero treinar mas tenho medo de me magoar ainda mais.”

Este pensamento paralisa muita gente. E com alguma razão: treinar com dor, sem saber o que está na origem, pode agravar uma lesão. Mas parar completamente por medo pode ser igualmente prejudicial. O problema é que a maioria das pessoas nunca aprendeu a distinguir os diferentes tipos de dor durante o exercício, e por isso oscila entre dois extremos: ignorar tudo ou parar tudo.

Saber o que as dores durante o treino estão a dizer é uma competência fundamental para quem quer cuidar do corpo de forma inteligente e sustentável.

dores durante o treino

Dor boa vs. dor má: como distinguir

Nem toda a dor é sinal de problema. Durante o exercício, o corpo produz diferentes tipos de sensações que importa saber interpretar.

A dor muscular de esforço, conhecida como DOMS (Delayed Onset Muscle Soreness), aparece 24 a 48 horas depois do treino, especialmente quando se introduzem movimentos novos ou se aumenta a intensidade. É difusa, simétrica e melhora com o movimento suave. É um sinal de adaptação, não de lesão.

A dor de alerta, por outro lado, tem características muito distintas. É localizada, aguda, aparece durante o movimento e não desaparece quando o exercício para. Pode estar acompanhada de inchaço, calor ou limitação de movimento. Este tipo de dor não deve ser ignorado.

Os 4 sinais que pedem paragem imediata

Há situações em que continuar a treinar é contraindicado. Perante qualquer um dos sinais seguintes, o exercício deve ser interrompido e deve ser procurada avaliação clínica:

  • Dor aguda e súbita num tendão, articulação ou músculo durante o movimento.
  • Inchaço visível ou calor localizado numa articulação após o treino.
  • Formigueiro, dormência ou sensação de fraqueza num membro durante o esforço.
  • Dor no peito, falta de ar desproporcional ao esforço ou tonturas.

Estes sinais não significam necessariamente lesão grave, mas indicam que o corpo precisa de ser avaliado antes de continuar.

As zonas mais comuns de dor e o que podem revelar

Algumas regiões do corpo concentram as queixas mais frequentes entre quem pratica exercício, especialmente em pessoas que retomam a atividade física depois de um período de inatividade.

A região lombar é das mais afetadas, em grande parte pela fraqueza dos músculos estabilizadores e por padrões de movimento compensatórios. Os joelhos surgem a seguir, muitas vezes por sobrecarga da rótula ou por desequilíbrios musculares entre quadricípite e isquiotibiais. Os ombros e a cervical são comuns em quem trabalha muitas horas ao computador e leva tensão postural para o treino sem a resolver antes.

Em todos estes casos, a dor é um sintoma. A causa está quase sempre num desequilíbrio que precisa de ser identificado e corrigido.

Quando adaptar o treino em vez de parar

A grande maioria das situações de dor durante o exercício não exige paragem total, mas sim adaptação. Reduzir a carga, modificar o padrão de movimento, evitar determinados exercícios temporariamente e reforçar as estruturas mais frágeis são estratégias que permitem continuar a treinar com segurança enquanto o problema é trabalhado.

Esta abordagem, que combina movimento terapêutico com exercício físico, é precisamente o que distingue um plano de treino genérico de um plano verdadeiramente personalizado.

O papel da fisioterapia neste processo

Quando as dores durante o treino são recorrentes ou persistentes, a fisioterapia é o ponto de partida mais indicado. Uma avaliação clínica permite identificar a origem do problema, perceber quais os movimentos que devem ser evitados e quais os que devem ser reforçados, e construir um plano de intervenção que combina tratamento e prevenção.

Treinar com acompanhamento clínico não é exclusivo de atletas de alta competição. É uma abordagem inteligente para qualquer pessoa que queira evoluir sem se lesionar.

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